Portugal e a questão dos títulos

Citando alguém que eu conheço, da forma mais irónica possível de imaginar:

“(…) Portugal… o país dos senhores doutores, engenheiros, arquitectos… essas classes trabalhadoras, que muito enriquecessem este país (…)”.

 

Dizia ele isto ao se apresentar como o humilde João, que apenas pretendia que fosse respeitado pelo que ele era e não pelo título, como é bastante frequente neste pequeno país, demonstrando uma clara desnecessidade em se afirmar pessoalmente perante os outros.

Pegando neste exemplo, questionei-me:

“Porque raio os médicos andam sempre vestidos com a bata nas entrevistas para a televisão e com o estetoscópio ao pescoço, sendo que ao usarem as batas fora do ambiente hospitalar estão a introduzir agentes externos no meio, ao regressar ao hospital?

E o estetoscópio… por que raio o usam ao pescoço se, na maior parte dos dias, são capazes de nem o usar para auscultar alguém?”

Na minha opinião é, óbviamente, uma paneleirice para se evidenciarem como médicos.

Este é apenas um dos muitos exemplos que podemos arranjar por aí…

Será que os músicos deste (pequeno!) Portugal têm que andar com os instrumentos às costas para que as pessoas possam dizer:

“- Olha vai ali o Rui Veloso!

- Se não fosse pela guitarra quase que o confundia com um trolha…”

Ou o Luis Figo, sem uma bola debaixo do braço nem parece ele.

E os veterinários, no meio disto tudo usam o quê ao pescoço? Um osso? Uma gaiola?

Já dizia o Jorge Palma:

” (…) Ai Portugal, Portugal, do que é que estás à espera? (…)”

 

Eu cá acho que é de mais doutores, engenheiros, arquitectos…

2 Comentários

  1. Eduardo Ramos disse,

    Domingo, Março 16, 2008 às 10:50 pm

    … já ouvi por várias vezes… Salazar.
    Mas o que eu acho mesmodo que Portugal está à espera é o que sempre espero desde é país. O mesmo que se evendencia am casa tipo Português:
    ” Que alguém faça as coisas por ele, pois hoje não pode porque está muito ocupado… coisas.”

  2. Vinnie disse,

    Quinta-feira, Abril 10, 2008 às 6:18 pm

    Este post fez-me lembrar um caso “engraçado” que me aconteceu aqui há uns anos quando ainda não estava a trabalhar por minha conta.

    Um Prof. do IST, cujo nome já não me lembro, mandou o PC do trabalho para arranjar, e como tal eu fiz o que faço de melhor e no dia seguinte o dito PC estava como novo e a caminho do seu utilizador.
    Ao final da tarde o dito computador volta a aparecer-me na bancada de trabalho.
    “Mas que raio? Este PC não tinha já sido entregue?” perguntei eu ao meu ex-patrão, ao que ele me respondeu “está tudo a funcionar, mas quando puseste o nome do utilizador esqueceste-te dos títulos e por isso o homem não quis aceitar a máquina”.

    Só após uma mudança que envolveu uma nova formatação para incluir os 4 ou 5 títulos do dito Sr. Prof. Eng. catedrático (de certeza que me esqueci de mais um ou dois títulos) é que ele aceitou o PC.


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