As associações de pais, na minha opinião, são um fenómeno muito interessante da nossa sociedade.
Confesso que quando era miúdo já existiam mas, a sua influência ou necessidade de existência era tal que só dei pelas da minha zona há pouquíssimo tempo (aí uns 20 depois de já existirem).
Então, mas porque é que as considero um fenómeno interessante?
Pois bem, na minha vida profissional as escolas estão presentes sempre que é necessário. Não pela docência, discência ou porque trabalho lá (o que não acontece) mas sim, pelo estabelecimento em si.
Sempre que há um problema relacionado com a minha área de intervenção, lá está o Pollux na linha da frente, a caminho da escola. Felizmente para mim, apenas intervenho nos Jardins de Infância e nos estabelecimentos de ensino básico (e acreditem que já me chateiam que chegue).
Sendo que para mim cada criança é um motivo de alegria e que cada uma só se porta em função do modelo que tem (entenda-se o exemplo que tem em casa), não há crianças malcriadas mas sim, crianças com pais de lamentar.
É aqui a parte em que entram as associações de pais deste país, que em regra geral são uma vergonha.
As associações de pais não gerem nada mais nada menos que os interesses deles próprios (os pais) camuflados como vontade dos filhos (e muitas vezes sobreposta ao que realmente interessa às crianças).
Ora então vejamos certas posturas.
Suponhamos que eu sou um representante de uma associação de pais vulgaríssima, igual a tantas outras neste Portugal, e que actuo da seguinte forma, de acordo com as seguintes situações (tal como as atitutes vulgaríssimas que se vivem nos dias de hoje):
a) O meu filho não gosta de sopa de espinafres e hoje a sopa era de espinafres
- A comida do refeitório não presta! A sopa é deslavada e não tem nutrientes!
OS MIÚDOS NÃO GOSTAM DA COMIDA!
VAMOS FAZER UM ABAIXO ASSINADO PARA MUDAREM A COMIDA!
b) O pátio exterior estava com luzes fundidas aos meses e, finalmente repararam a luz. No entanto, algo aconteceu e esta avariou súbitamente.
VAMOS FECHAR A ESCOLA!!!
ISTO NÃO TEM CONDIÇÕES!!!
Já te disse que a comida desta escola não presta?
c) Houve reunião de pais mas eu não fui… aliás, nunca fui a nenhuma. No entanto, está alguma coisa por arranjar no campo de jogos
- Se fosse eu o representante, já tinha resolvido o problema!
Se fosse eu? Já estava resolvido!
É como a comida, não presta e não se faz um abaixo assinado…
d) O meu filho estava a brincar no recreio e houve outro que lhe bateu
- ONTEM UM ALUNO DESTA SALA BATEU NO MEU FILHO!!!!
OU A SR.ª PROFESSORA REPREENDE ESSE ALUNO OU FAÇO QUEIXA DE SI NO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO!!!
JÁ ME CHEGAVA A COMIDA NÃO PRESTAR!!!
Enfim, podia continuar mas já me fartei e perdi a paciência para continuar a escrever…
Resumindo, se na escola há muita coisa que não presta e a necessitar de ser alterada, podem sempre começar por deixar os pais no lado de fora do portão, mesmo que sejam “sindicalistas de menores”.